Suplementação alimentar. Uma análise atual

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Analisando a evolução da indústria da suplementação alimentar, nas últimas décadas, podemos ter diferentes pontos de vista. De um lado, é incrível o volume de publicações científicas desmistificando crenças antigas e apresentando novas aplicabilidades. Por outro, é igualmente incrível a desinformação das pessoas e o oportunismo de certas empresas que empurram para o consumidor produtos sem qualquer tipo de funcionalidade, mas com uma ótima margem de lucro.

Com a internet, especialmente as redes sociais, qualquer um pode se apresentar como especialista na área. Uma pessoa sem qualquer tipo de conhecimento técnico científico, mas com um grande número de seguidores, consegue atingir muito mais pessoas do que um verdadeiro especialista do assunto, que só é conhecido no meio acadêmico. Isso vem dificultando a vida de profissionais que se esforçam para divulgar informação de qualidade.

Há anos viajo o Brasil todo palestrando. Em cada palestra consigo reunir entre 300 e 600 pessoas, salvo em grandes eventos que podem ultrapassar 1.000 inscritos. Ainda assim, o alcance dessas palestras é infinitamente menor do que o das redes sociais. Um gigantesco público conectado acredita nas dicas (patrocinadas pela indústria) que as (os) blogueiras (os) fitness despejam na internet todos os dias, e gasta até o que não tem em busca daqueles corpos perfeitos. Com o aumento exponencial de nutricionistas, vejo pessoas sendo bem orientadas, tanto na alimentação quanto no uso de suplementos alimentares, mas a grande maioria da população, independentemente da classe social, segue desinformada, comprando suplementos ineficazes e sem relação com seus objetivos. Houve avanços, sim, mas temos ainda um longo trabalho pela frente.<
As pessoas ainda veem a suplementação alimentar como algo direcionado para um fim específico. Por exemplo, querem saber se whey protein aumenta massa muscular; se o óleo de coco emagrece; se o colágeno melhora a qualidade da pele; se a vitamina C melhora a imunidade, etc., ou seja, não enxergam a suplementação como complemento de uma rotina de alimentação associada à atividade física.

Eu sempre brinco que a whey protein pode aumentar a massa muscular assim como a banana ou a carne de frango ou bovina. Que tudo dependerá da rotina alimentar de cada um. Por exemplo, se o indivíduo já ingere a quantidade de proteínas necessária por meio de alimentos proteicos como ovos, frango, peixes e carnes, a suplementação com whey protein não ajudará em nada. Da mesma forma, alguém com dificuldade na ingestão de proteínas, seja por falta de disponibilidade desses alimentos, paladar, apetite ou outro fator, a suplementação com whey protein ou outro pó proteico de qualidade, pode fazer toda a diferença. A pessoa pode não precisar de suplementação com proteínas em pó, mas pode ter uma deficiência de vitamina D ou outro micronutriente, que esteja atrapalhando a conquista de seus objetivos. Ou então, uma suplementação com creatina visando melhora da força no treinamento, ou dependendo da periodização e tipo do treinamento, a beta-alanina possa ser um ótimo recurso para melhorar a resistência. Pode não ser nada disso. A pessoa precisar de um suporte de carboidratos antes ou pós treino, ou ainda BCAAS e glutamina para melhorar a recuperação. Poucos sabem, mas ácidos graxos ômega 3 podem melhorar a síntese de proteínas, otimizar a recuperação, sendo portanto uma ótima suplementação para ganho de massa muscular, além das várias aplicabilidades no que diz respeito à melhora da saúde. Estimulantes do sistema nervoso central, como a cafeína e teacrina e potencializadores colinérgicos, como aswagandha, Rhodiola rosea, alpha gpc, citicolina, fosfatidilserina, entre outros, quando usados nos momentos corretos e respeitando a tolerância de cada um, podem otimizar (e muito) a capacidade cognitiva e o treinamento. Assim, você poderá não só treinar com maior intensidade como também melhorar seu rendimento no trabalho e/ou estudos.

Muitos pais me perguntam sobre suplementação para crianças (no caso de esportistas). Eles têm receio de dar aos filhos um suporte de carboidratos, proteínas, creatina, ômega 3, vitaminas e minerais específicos, ou qualquer outra suplementação para melhorar o rendimento esportivo da criança e/ou adolescente. Apesar dessa resistência, acham normal oferecer aos filhos salgadinhos, refrigerantes e outras porcarias tão normalmente consumidas pelas crianças de hoje em dia. Ainda hoje, um achocolatado cheio de açúcar não traz a suspeita que um pó proteico como whey protein costuma trazer. E de quem é a culpa?

Em parte, da própria indústria de suplementos alimentares, que por muitos anos focou seu marketing única e exclusivamente no ganho de massa muscular, hipertrofia e fisiculturismo. Há bem pouco tempo esse direcionamento começou a mudar. Os mesmos suplementos, antes embalados em potes com fotos de caveiras e atletas musculosos, agora têm rótulos e propagandas que remetem a boa saúde e qualidade de vida. Inclusive, o movimento de buscar corantes, aromatizantes e adoçantes naturais vem crescendo muito. A grande barreira ainda é o sabor. As pessoas querem suplementos gostosos e, nesse sentido, lógico que o artificial ainda vence disparado. Mas acredito que logo vamos ter no mercado produtos com ingredientes 100% naturais, com o mesmo sabor dos com ingredientes artificiais.

Os idosos também ainda não se convenceram dos benefícios da suplementação alimentar. Eles ainda enxergam creatina, glutamina, probióticos, vitaminas e minerais como algo medicamentoso. Produtos para serem usados apenas em situações patológicas e não como prevenção. Uma mudança nesse comportamento virá quando a geração que hoje tem 30, 50 anos de idade envelhecer. Como passaram boa parte da vida adulta tomando suplementos, na velhice a adesão será bem maior. Eu mesmo, hoje, tenho 36 anos de idade. Meu primeiro contato com suplementação alimentar foi aos 14 anos e nunca parei de suplementar. No início, de maneira totalmente errada, me encantava pelo rótulo ou pelo produto que prometia ganho rápido de massa muscular. Hoje, não imagino como seria a minha vida sem a suplementação alimentar, principalmente quando penso nos benefícios relacionados à qualidade de vida. Suplementos para melhorar a saúde articular, como colágeno tipo II, extrato de boswellia e, curcumina, substâncias com efeito na cognição, visando reduzir os riscos para doenças neuro-degenerativas (creatina, citicolina, alpha gpc, aswgandha, etc), além dos próprios suplementos proteicos. Com o envelhecimento, é muito comum a redução da ingestão de alimentos fonte de proteínas, portanto, os suplementos podem melhorar a qualidade de vida do idoso. Não só de vida, mas de morte também. Apesar de muitos evitarem até pensar nessa palavra, a morte é nossa maior certeza. Seja você rico, pobre, famoso, bonito ou feio, você vai morrer. Excluindo situações acidentais, podemos, sim, buscar uma morte com maior qualidade. Grande parte das doenças que podem causar um fim de vida ruim e doloroso pode ser evitada com uma boa nutrição, suplementação alimentar e atividade física. Hoje nós sabemos, mais do que nunca, dos benefícios dos pré e probióticos para a saúde intestinal, por exemplo. A glutamina também tem sua parcela de contribuição. A manutenção de uma adequada saúde intestinal ao longo da vida pode evitar doenças extremamente desagradáveis quando envelhecemos. Com o auxílio da correta nutrição/suplementação alimentar/atividade física, o idoso terá força muscular para executar tarefas básicas do dia a dia, sem necessitar de ajuda. O prolongamento da sensação de autoestima e da autonomia é fundamental para um envelhecimento saudável e feliz.

Uma curiosidade é que alguns suplementos que estão no mercado há muito tempo, já tiveram sua eficácia contestada algumas vezes, mas continuam sendo vendidos por terem tido outras aplicabilidades descobertas. Um ótimo exemplo é a L-carnitina. Ficou conhecida nos anos 1980 como auxiliar para a redução da gordura corporal. Nos anos 1990 pesquisas concluíram que esse benefício só seria válido em vegetarianos ou indivíduos que não consumissem carnes ou outros alimentos fonte de L-carnitina em sua alimentação. Nesses casos, a suplementação supriria uma deficiência. Mais alguns anos de pesquisas foram necessários até descobrirem que a L-carnitina tem ação antioxidante, potencializadora cognitiva e apresenta efeitos na melhora da performance em atividades de alta intensidade e curta duração. Depois de um tempo sumida, ela voltou a ter seu espaço nas prateleiras das lojas.

Enfim, a questão não é mais discutir a eficácia ou a utilidade da suplementação. O que precisamos é de profissionais cada vez mais preparados e de meios de comunicação que cumpram seu papel educativo, levando a verdade para a população. Todos podem se beneficiar do uso correto dos suplementos alimentares.


Por que é difícil encontrar um homem preocupado com a sua saúde e estética?

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Atualmente, com todo o conhecimento disponível sobre alimentação, exercícios e procedimentos estéticos complementares, não é difícil encontrarmos mulheres com mais de 40 anos com corpos esculturais. Inclusive, tenho inúmeras pacientes que se encaixam nesse perfil. Mas e quanto aos homens? Por que não é tão fácil encontrar um homem tão bem sucedido em sua vida profissional, quanto com sua saúde e estética? Pelo simples fato da necessidade de se trabalhar muito para obter o tão sonhado sucesso! E é nesse momento que entra o equilíbrio.

Quando ouço dos meus pacientes que o grande empecilho é a falta de tempo, ressalto a importância de colocar o horário da atividade física como se fosse uma reunião importantíssima de trabalho. Talvez reservar o primeiro horário do dia seja uma ótima ideia! Você que é casada ou namora com alguém que se encaixe nesse perfil, que tal motiva-lo a fazer exercícios e cuidar da alimentação com você? Acho incrível quando um casal se cuida junto, quando um se preocupa em ver o companheiro cada vez mais bonito e saudável.

Agora, se você é homem e crítica sua esposa pelos excessos de cuidados com alimentação e exercícios, que tal experimentar esse estilo de vida com ela? Envelhecer juntos, de maneira saudável, apresentar bons exemplos para seus filhos... Só vejo fatores positivos em tudo isso! Acredito que ter sucesso na vida está muito além da sua conta bancária, assim como de uma beleza temporária. Sucesso para mim é conseguir manter equilíbrio em todas as situações. Melhor do que ser considerado ótimo em apenas um fator, é ser considerado bom em inúmeros! Janeiro é um ótimo mês para mudanças... O que você está esperando?


Refrigerante diet: posso ou não posso tomar e quanto ele é prejudicial?

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Quantas vezes vocês não viram atletas ou blogueiras fitness postarem fotos como um prato adequado, acompanhado de um refrigerante dietético? E aí? Pode ou não pode? Que refrigerante é ruim para saúde todos já sabem. Afinal são inúmeras as substâncias artificiais presentes, além dos elevados teores de açúcares. Mas e os dietéticos? Qual sua relação quanto a mudança da composição corporal?

Na verdade, o refrigerante dietético é isento de calorias. Ou seja mesmo que a pessoa ingira 2 litros por dia, mas mantenha o equilíbrio entre sua ingestão calórica e o gasto energético, ela terá resultados positivos quanto a mudança da composição corporal. Mas muito mais importante que um físico com baixo percentual de gordura, é um corpo saudável.

Portanto, se você está buscando uma alimentação adequada, a ingestão de refrigerantes, mesmo os dietéticos, deveria ser restrita a momentos esporádicos ou até mesmo ser eliminada por completo. Mas cuidado ao substituir refrigerante por sucos de frutas concentrados, caso você queira emagrecer, pois esses podem conter muito carboidratos/calorias. Em situações como em um barzinho ou restaurante, a famosa água com gás e limão espremido, funciona muito bem. Assim como o uso de chás naturais gelados isentos de calorias, que são muito mais saborosos do que os refrigerantes.

Lembrando que o consumo excessivo de bebidas contendo adoçantes artificiais, além de ser desfavorável a saúde intestinal (pode promover um quadro de disbiose), também pode levar ao consumo excessivo de alimentos doces, tornando muito elevado o uso de bebidas, chicletes, gelatinas e balas contendo adoçante artificiais. A médio e longo prazo essa prática pode trazer compulsão alimentar por doces em geral, algo que já vivenciei muitas vezes no consultório com inúmeros pacientes.

Portanto, se você mantém uma dieta muito restrita e abusa dessa estratégia, tome cuidado! Em curto prazo até pode funcionar, mas em um período médio/longo, você pode ter sérios problemas com desordens alimentares. Se alimente bem para um propósito maior, que é sua saúde! A estética é importante, mas é apenas um dos inúmeros benefícios que a nutrição adequada pode lhe oferecer!


Como está a alimentação do seu filho?

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Em um passado não tão distante, a preocupação dos pais era estimular o apetite dos filhos. As refeições eram feitas em casa, não havia tantos apelos comerciais para estimular a compra de guloseimas, salgadinhos e refrigerantes, e ficar o dia todo em frente à TV era impensável para a maioria das crianças. Elas passavam horas brincando na rua, andando de bicicleta, pulando corda, correndo na praça. Só que com o surgimento de novos hábitos, alimentares e comportamentais, muita coisa mudou. Hoje, criança gordinha não é mais sinônimo de criança saudável e, mais do que lutar contra a falta de apetite, a preocupação dos pais é evitar a obesidade infantil.

À medida que a criança cresce, os pais devem tomar cuidado com o que eu considero “armadilhas alimentares”. Muita gente acha que a criança não tem controle sobre a saciedade e acaba insistindo para que o filho não deixe nada no prato. Pouco tempo depois, pensando que ele não comeu direito, a mãe oferece uma vitamina de frutas com açúcar, uma bolachinha, um salgadinho. Isso está errado!

A necessidade da criança em agradar a mãe pode até desencadear um processo de compulsão alimentar precoce. Alguns pais também utilizam guloseimas como recompensa, “se não comer a salada, não vai comer o chocolate”, fazem do passeio na pizzaria “um programão” para o fim de semana, ou ainda usam alimentos não saudáveis para estimular um bom desempenho na escola. Claro, a culpa pela obesidade infantil não é só dos pais, mas quando os adultos da casa têm uma boa relação com os alimentos é provável que a criança desenvolva o mesmo comportamento.

O tratamento da criança obesa começa pela modificação dos hábitos alimentares da família.  Os pais, os irmãos, todos devem ter alimentação similar, em horários determinados, sem restrições muito rígidas. Não adianta também proibir totalmente doces, lanches e batatas fritas. A criança precisa entender que só deve comer “porcarias” de vez em quando, simplesmente porque elas não fazem bem à saúde. Claro, também é fundamental incentivar a prática de brincadeiras ao ar livre e exercícios.


Compulsão alimentar está relacionada a doces?

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Claro que existem pessoas que não possuem tanta paixão por doces, mas de maneira geral, eles são verdadeiros problemas para muitos. O que aprendi com a minha experiência, é que isso é muito mais psicológico do que fisiológico. E a forma de cada um lidar com isso, deve considerar esse fator. Eu poderia dissertar sobre inúmeras substâncias para tentar controlar essa vontade. Mas sabemos que quando ela realmente “bate forte”, não há substância no mundo que irá impedir você de atacar o pacote de bolacha ou o sorvete.

Falando nisso, crises de compulsão, que considero um problema no trabalho de reeducação alimentar, são muito relacionadas a doces. A pessoa passa 3 semanas sem colocar uma banana a mais na dieta, quando de repente come um pedacinho de chocolate. De imediato vem o capeta no ouvido e diz: já comeu um pedacinho... Você fracassou! Saiu da dieta! E com isso, você devora a barra inteira. Na sequência, abre-se o armário e começa a lambança: bolachas, doces e até aquele leite condensado vencido que estava esquecido na despensa há séculos não escapa. Nem os doces “fit” ficam de fora.

O consumo voraz nem traz mais prazer. É uma mistura de culpa e a sensação de ter de comer o máximo possível, porque na sua cabeça, essa será a última vez que você vai sair da dieta! Você precisa acabar com tudo... Para não ter mais essas delícias em casa e não cair mais na tentação quando voltar para a dieta na segunda-feira! Como eu sei? Já passei por isso... e durou alguns anos. O motivo? Fazia dietas muito severas com objetivos a curto prazo. Não pensava de maneira longitudinal. O que funcionou para mim? Ter uma alimentação menos rigorosa e não pensar em um dia específico para sair da dieta. Deixo fluir, e quando estou em uma situação especial, me permito comer aquilo que tenho vontade. Seja no domingo ou uma quarta, sem regras pré fixadas.

Além disso, importante cada um observar o que será mais interessante: você consegue comer diariamente um pedacinho de chocolate após o almoço? Legal! Não vejo problemas nisso. Agora, se um quadradinho de chocolate pode te levar a compulsão, melhor nem ter esse tipo de alimento em casa ou no trabalho.


Cirurgia? Reeduque sua alimentação e tenha um resultado mais saudável

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Sem dúvida, o imediatismo é um dos grandes obstáculos em um processo de reeducação alimentar. A busca por uma cápsula milagrosa ou procedimentos estéticos ou cirúrgicos que resolvam o problema de maneira rápida, na verdade mais atrapalha do que ajuda. Tanto lipoaspirações quanto cirurgias bariátricas possuem suas indicações adequadas em casos específicos, mas vejo muitas pessoas realizando esses procedimentos sem a devida necessidade.

Portanto, antes de buscar um método mais drástico, pelo menos tente mudar seu estilo de vida antes! Se hoje você está com sobrepeso, isso é resultado do seu estilo de vida nos últimos anos. Simples assim! Quer uma composição corporal diferente? Então mude! Além de uma melhor forma física e outros benefícios relacionados à sua saúde, você terá a maravilhosa sensação de vitória e superação. Isso vai lhe fortalecer como ser humano! Se tornará alguém mais confiante e com maior auto-estima. Não apenas pelos resultados atingidos, mas pela maneira com que esses foram conquistados.

Passar pelo processo, superar suas fraquezas e dificuldades, é tão ou até mais gratificante do que o resultado final. Portanto, se você tem condições físicas e psicológicas para isso, pare de buscar caminhos fáceis! Se esforce, se dedique... Você vai conseguir!


Iniciante: Tenha paciência e performe melhor a cada treino

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Diógenes Fernando resolveu aos 30 anos de idade fazer aulas de ciclismo. Ele só tinha pedalado na infância e fazia 20 anos que não subia em uma bicicleta. Foi na melhor loja de sua cidade e pagou 50 mil reais na melhor bike. Até tinha um modelo de “apenas” 45 mil reais, mas era 500 gramas mais pesado. Comprou todos os equipamentos mais avançados, das marcas utilizadas pelo pelotão de elite do Tour de France.

Após sua segunda aula, saindo do local de treinamento, todo feliz, foi ultrapassado na primeira subida por um “tiozinho”, 30 anos mais velho, com uma daquelas “Barras Forte”, sem marcha e ainda carregada com as ferramentas que ele usa no trabalho. Já Otaviano Augustus resolveu aprender a nadar. Foi na loja de esportes e comprou a melhor roupa de Neoprene disponível, depilou os pelos do corpo para reduzir o atrito com a água e comprou um óculos super avançado para mergulho profissional. E lá se foi para sua primeira aula todo equipado!

Agora, vamos pensar nas pessoas que querem mudar a composição corporal. Vocês acham que elas estão fazendo diferente? Vejo todos os dias pessoas utilizando suplementações que não vejo nem campeões de fisiculturismo utilizarem. Tomam 839 cápsulas por dia prescritas pelo médico, 24 tipos diferentes de suplementos indicados pelo nutricionista, mas na academia não sabem executar um agachamento ou fazer abdominal. Isso quando não passam a aula toda no celular.

Pessoal, para os que estão começando, o melhor investimento a fazer, é com o treinamento. Invista em uma boa academia, em um bom personal trainer. Aprendam a treinar primeiro! Algumas semanas após, ajuste sua dieta e suplementação para o melhor desempenho e resultados. Se você passou anos sedentário, não será em um mês que tudo vai ficar perfeito. Dê um passo de cada vez.

E até mesmo considerando o gasto financeiro, otimize seus investimentos procurando o profissional certo na hora certa. Muitas vezes o dinheiro investido com a suplementação cara, seria melhor investido na contratação de um treinador. Tenho certeza absoluta que vários de vocês que estão lendo o texto, estão cometendo o mesmo erro do Diógenes Fernando e do Otaviano Augustus. Com paciência tudo dará certo!


14 alimentos que fazem diferença para a saúde

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Hoje me perguntaram sobre alimentos que independente do objetivo de cada um, deveriam estar presentes na nossa alimentação. Vou listar 14, mas não necessariamente estão em uma ordem de prioridade.

  • Alho: ótimo para imunidade e efeito cardioprotetor;
  • Mirtilos: efeito neuroprotetor, excelente para memória;
  • Folhas verdes escuras: fontes de nitratos, ótimas para a circulação, efeito cardioprotetor e ergogênicos (estimula síntese de óxido nítrico);
  • Spirulina: efeito anti-inflamatório e cardioprotetor;
  • Canela: auxilia no controle glicêmico;
  • Orégano: efeito anti-oxidante e bactericida;
  • Açafrão: rico em curcumina, excelente para proteção articular, ótimo antioxidante;
  • Gengibre: auxilia na digestão, efeito analgésico, antioxidante e termogênico;
  • Pimenta: auxilia na saciedade, efeito termogênico;
  • Brócolis: anti-cancerígeno;
  • Café (uso moderado): efeito cardioprotetor;
  • Maçã: rica em quercetina, que assim como o resveratrol da uva escura e as epigalocatequinas do chá verde, auxiliam na saúde mitocondrial, potencializando nossa capacidade de produção energética.
  • Kefir: rico em probióticos, auxlilando na saúde intestinal;
  • Cacau: ação antioxidante e cardioprotetora.
  • Enfim, a lista poderia ser muito maior. Mas foi só um exemplo, de como muitas vezes ignoramos alimentos que são simples e de baixo custo, mas que poderiam fazer grande diferença para nossa saúde se consumidos com regularidade. A nutrição é incrível! Procure sempre seu nutricionista!


    Consumir ou não consumir ovos com gemas?

    Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

    Uma das dúvidas mais corriqueiras no consultório: Consumir ou não consumir os ovos com as gemas? A gema do ovo contém aproximadamente 50% de ômega 9, ácido graxo monoinsaturado também encontrado no azeite de oliva. O restante consiste em gorduras saturadas e poli-insaturadas (ômega 6 e um pouco de ômega 3). A gema possui caroteinoides (luteína e zeaxantina) relacionados com a saúde ocular. É também uma excelente fonte de colina, nutriente relacionado com inúmeros benefícios à saúde.

    Há um bom tempo, a relação entre o consumo de gema de ovos e aumento dos níveis de colesterol perdeu sua força. A gema realmente possui colesterol, mas sabe-se que a ingestão total de gorduras saturadas será muito mais significativa para o aumento dos níveis plasmáticos de colesterol do que o consumo do próprio colesterol. E tudo dependerá de outros fatores presentes na alimentação e no estilo de vida do paciente, inclusive sua predisposição genética.

    Em geral, as publicações recentes não têm encontrado relação direta entre o consumo de gemas de ovos e aumento do risco de doenças cardiovasculares, mesmo em se tratando de pacientes dislipidêmicos. No entanto, na elaboração de um programa alimentar, devemos ajustar individualmente as proporções entre carboidratos, proteínas e lipídios. Um ovo inteiro possui aproximadamente seis gramas de proteínas e seis gramas de gorduras, sendo que toda essa gordura está concentrada na gema. A clara possui três gramas de proteínas, mas apenas traços de gorduras.

    Portanto, se a intenção é uma refeição com menor teor de gorduras, algumas gemas deverão ser reduzidas. Ao passo que se a intenção for uma refeição com mais gorduras, as gemas serão muito bem-vindas. Mais uma vez, a resposta será: depende da situação. Consulte sempre um nutricionista!


    Os benefícios da vitamina C para a imunidade

    Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

    E aquela recomendação de avó e de mãe sobre vitamina C e imunidade? Será que procede? Bom, em partes sim! Revisando as publicações sobre o assunto, encontra-se que alguém que consome regularmente vitamina C em altas dosagens, algo como 2000 mg/dia de maneira fracionada, apresenta um período de recuperação mais rápido quando acometido por gripes ou resfriados. Mas de nada adianta iniciar a suplementação apenas quando se fica doente.  O uso deve ser regular e contínuo!

    Dentre outros suplementos que podem fortalecer a imunidade, posso destacar: probióticos e glutamina. Astragalus membranaceus e echinacea possuem aplicabilidade em casos específicos. Garantir níveis adequados de vitamina D e zinco também é muito importante. Extrato de própolis é algo simples, mas também muito eficaz.

    Já falando sobre alimentos, podemos citar: alho, cebola, gengibre, chás branco e verde, cogumelos, vegetais verde-escuros, frutas cítricas, iogurte natural, kefir e oleaginosas, apenas para citar alguns. Além dessas dicas, um descanso adequado e uma vida com controle de stress também são igualmente importantes. Uma baixa imunidade pode atrapalhar tanto seu rendimento esportivo, quanto acadêmico ou profissional. Portanto, esses cuidados valem muito a pena. Consulte sempre um nutricionista!