Na minha prática clínica, observo que a beta-alanina, apesar de ser um dos suplementos mais bem comprovados cientificamente quanto sua eficácia, geralmente é utilizada de maneira errada. A beta-alanina é precursora de carnosina. Esta substância, quando presente em concentrações mais elevadas em nosso sistema muscular esquelético, pode exercer uma ação tamponante, uma redução na acidificação do PH intracelular, reduzindo a fadiga em atividades intensas.  Com isso, temos a primeira necessidade antes de suplementar com beta-alanina, ou seja, é necessário um exercício físico intenso! E mais, esse exercício deve ter duração entre 60 e 240 segundos. Ou seja, se, no momento, você faz musculação focado no treino de força, com baixas repetições e longos períodos de descanso, essa suplementação não poderá ajuda-lo. Agora, se está realizando exercícios combinados (bi-sets, tri-sets, etc), os benefícios certamente ocorrerão.  As dosagens que normalmente observo também são inadequadas. Canso de ver prescrições com 500 mg ou 1000 mg de beta-alanina antes do exercício, sendo sugeridas apenas nos dias de treino. Um grande erro. Primeiro, a dosagem que parece ser eficaz gira em torno de 4 e 6 gramas/dia, utilizados todos os dias, mesmo quando não houver prática de exercícios. O efeito da beta-alanina é crônico e não agudo como muitos pensam. Essa confusão vem do efeito conhecido como parestesia (sensação de formigamento), que ocorre logo após a ingestão de beta-alanina. Inclusive, para evitar esse leve desconforto, recomenda-se fracionar a dosagem sugerida (4-6 gramas) em 3 ou 4 tomadas ao longo do dia.  Se o objetivo é otimizar a performance em alguma competição específica, onde a suplementação de beta-alanina vá de encontro com a intensidade e duração da modalidade, recomenda-se que se inicie o protocolo de administração pelo menos entre 2 e 4 semanas antes. Somente assim o atleta chegará no dia da competição com níveis intramusculares adequados de carnosina. Geralmente, uma sugestão prática, é utilizar a beta-alanina por períodos aproximados de 8 semanas. Usos prolongados não apresentam efeitos adversos, mas pode-se progressivamente perder a efetividade da suplementação. E, lembrando, seu uso deve ser reservado para as semanas mais intensas da periodização de treinamento.  Estudos têm comprovado benefícios quanto a redução de fadiga neuromuscular, especialmente em indivíduos com idade avançada. Outras evidências apresentam a beta-alanina como possível efeito ergogênico para otimizar a performance tática, em competições de tiro,  arco e flecha, entre outras. Existem muitos estudos em curso, procurando a efetividade do uso da beta-alanina em atividades de força e endurance de longa duração. Assim como vem ocorrendo com as pesquisas sobre creatina, é bem provável que a cada ano mais novidades interessantes sejam descobertas sobre a beta-alanina.  Infelizmente a comercialização da beta-alanina em lojas de suplementos não é permitida pela ANVISA no Brasil. Seu uso fica limitado a prescrição de nutricionista ou médico para que o paciente realize a manipulação em farmácias especializadas. Fato que considero um grande atraso em se tratando de um suplemento já tão bem pesquisado, com segurança e eficácia comprovadas.

 

Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389www.rodolfoperes.com.br@nutricionistarodolfoperes