Rodolfo Peres – nutricionista esportivo – CRN3 16389

Em um passado não tão distante, a preocupação dos pais era estimular o apetite dos filhos. As refeições eram feitas em casa, não havia tantos apelos comerciais para estimular a compra de guloseimas, salgadinhos e refrigerantes, e ficar o dia todo em frente à TV era impensável para a maioria das crianças. Elas passavam horas brincando na rua, andando de bicicleta, pulando corda, correndo na praça. Só que com o surgimento de novos hábitos, alimentares e comportamentais, muita coisa mudou. Hoje, criança gordinha não é mais sinônimo de criança saudável e, mais do que lutar contra a falta de apetite, a preocupação dos pais é evitar a obesidade infantil.

À medida que a criança cresce, os pais devem tomar cuidado com o que eu considero “armadilhas alimentares”. Muita gente acha que a criança não tem controle sobre a saciedade e acaba insistindo para que o filho não deixe nada no prato. Pouco tempo depois, pensando que ele não comeu direito, a mãe oferece uma vitamina de frutas com açúcar, uma bolachinha, um salgadinho. Isso está errado!

A necessidade da criança em agradar a mãe pode até desencadear um processo de compulsão alimentar precoce. Alguns pais também utilizam guloseimas como recompensa, “se não comer a salada, não vai comer o chocolate”, fazem do passeio na pizzaria “um programão” para o fim de semana, ou ainda usam alimentos não saudáveis para estimular um bom desempenho na escola. Claro, a culpa pela obesidade infantil não é só dos pais, mas quando os adultos da casa têm uma boa relação com os alimentos é provável que a criança desenvolva o mesmo comportamento.

O tratamento da criança obesa começa pela modificação dos hábitos alimentares da família.  Os pais, os irmãos, todos devem ter alimentação similar, em horários determinados, sem restrições muito rígidas. Não adianta também proibir totalmente doces, lanches e batatas fritas. A criança precisa entender que só deve comer “porcarias” de vez em quando, simplesmente porque elas não fazem bem à saúde. Claro, também é fundamental incentivar a prática de brincadeiras ao ar livre e exercícios.

Cadastre-se para receber novidades: