Rodolfo Peres – CRN3 16389
Rafael Polonis – CRN3

O sal rosa do himalaia vem ganhando imensa popularidade nos últimos tempos na população pela crença de ser muito mais saudável que o sal refinado. Se formos analisar, de fato o sal rosa possui muito mais minerais que o sal refinado, como podem observar na tabela abaixo. No entanto, considerando-se o uso do sal em quantidades moderadas (como deveria ser), esse possível benefício acaba sendo insignificante. Muitas pessoas alegam que o sal rosa possui menos sódio quando comparado com o refinado, mas essa informação não procede na realidade.

De fato, o sal refinado não possui praticamente nada de minerais além do próprio sódio, porém contém algo que o sal rosa quase não tem, que é o iodo! No ano de 1924 começou-se a adicionar iodo nos sais refinados, porque muitas pessoas que viviam longe do oceano não estavam ingerindo frutos do mar e, portanto, pouco ou nenhum iodo, e nódulos na tireoide tornaram-se comuns em uma parcela significativa da polução.

A deficiência de iodo desenvolve-se quando a sua ingestão de iodo é inferior a 20 µg/dia. Em caso de deficiência leve ou moderada, a glândula tireoide, influenciada pelo hormônio tireoestimulante (TSH), hipertrofia-se para concentrar o próprio iodo, resultando em bócio. A deficiência grave de iodo em adultos pode causar hipotireoidismo e em gestantes retarda o crescimento do feto e o desenvolvimento cerebral. Devemos ficar atentos também com relação à toxicidade do iodo, que só se desenvolve quando a ingestão é superior a 1,1 mg/dia. A maioria das pessoas que ingere quantidades excessivas de iodo permanece eutireoideo. Algumas pessoas que ingerem excesso de iodo, em especial aquelas anteriormente deficientes, desenvolvem hipertireoidismo. Paradoxalmente, o excesso de consumo de iodo pela tireoide pode inibir a síntese de hormônio tireóideo. Dessa maneira, a toxicidade de iodo pode causar bócio por iodo e hipotireoidismo.

É um fato que grande parte da população está ingerindo muito mais sal que o recomendado, e mesmo assim, utilizando o sal rosa, a quantidade de minerais obtidos são praticamente nulos à recomendação diária de minerais. Deve-se sempre ter em mente que a maioria dos alimentos já contém sódio, e o hábito de adicionar sal nos alimentos após seu preparo (uso de saleiro de mesa) deve ser reavaliado. Em restaurantes por exemplo, observamos que as pessoas costumam adicionar sal à comida, antes mesmo de prova-la! O paladar se adapta à redução da quantidade de sal nos alimentos, ou seja, a diminuição gradativa do sal não afetará a percepção do sabor das suas refeições.

Na prática clínica, observo que algumas desinformações sobre o sódio. Uma delas é acreditar que eliminar por completo o acréscimo de sal no preparo dos alimentos é uma boa ideia. A recomendação diária de sódio gira em torno de 2000 – 2500 mg. Isso já considerando o sódio já normalmente presente nos alimentos. Ao retirar por completo a adição de sódio no preparo, a chance de não atingirmos essa recomendação é muito grande. Em se tratando de um esportista, que possui maiores necessidades de sódio devido as maiores perdas pelo suor, pode resultar em queda de performance. Inclusive, em exercícios intensos e prolongados, é fundamental a hidratação com bebidas que contenham sódio em sua formulação. A hiponatremia, definida como a presença de baixos níveis de sódio no plasma sanguíneo, pode levar o atleta até mesmo a morte. Como o sódio é fundamental no processo de contração muscular e hidratação celular, o processo de hipertrofia ficaria muito prejudicado com a baixa ingestão desse mineral. A dica é utilizar sal moderadamente no preparo dos alimentos e não adiciona-los após o preparo e nas saladas. Mas se você realizar atividade física por maiores períodos diários, com grande perda de minerais pelo suor, você necessita de um pouco mais do que isso, além de suplementos específicos em treinos mais longos e/ou provas. Deficiência de sódio pode ser tão ruim quanto seu excesso!

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