Rodolfo Peres – nutricionista – CRN3 16389

Emagrecer não é pesar menos, é perder gordura.

Hoje, eu vou falar sobre um assunto que tira o sono de muitas pessoas,
principalmente as mulheres: a balança! É fato que o aparelho pode ajudar no controle do peso e na busca por uma vida mais saudável, PORÉM, não deve ser uma obsessão. Olhando apenas para o número da balança, não é possível saber a qualidade do emagrecimento. Existe uma enorme diferença entre perder peso e perder gordura corporal.
Os quilos que você perde podem ser de massa muscular, de líquidos, de
gordura, ou tudo junto. Dependendo do que foi eliminado, o peso na balança será facilmente recuperado. Por outro lado, você pode estar perdendo gordura corporal sem perceber qualquer alteração na balança.
Não raro, pacientes relatam terem diminuído um ou dois números do manequim, mantendo o mesmo peso. Quem nunca ouviu a frase: “músculo pesa mais do que gordura”. Na verdade, peso é peso, 1 kg é 1 kg. Em peso, gordura e músculo não são diferentes. Acontece que o músculo é mais denso e compacto do que a gordura, ou seja, ocupa menos espaço no corpo. Partindo deste princípio, o peso corporal pode até aumentar com o ganho de massa muscular, e isso não deve ser motivo para preocupação. Ao contrário.
Se você está treinando e seguindo a dieta à risca, ótimo! Os resultados vão
aparecer com o tempo. Evite subir na balança todos os dias para não criar decepções ou falsas expectativas diante do peso. Normalmente, essas oscilações “enormes” que tiram o seu sono estão relacionadas à perda ou retenção de líquidos. A própria balança pode fazer o peso variar! Um piso desnivelado, bateria fraca e até mesmo a umidade do banheiro interferem na leitura da pesagem.
Por fim, cuidado para não relacionar saúde com peso e corpo sarado! Se
aquela “famosa” da revista mede 1,70m e pesa 54 kg, não pense que você terá o mesmo corpo dela se pesar 54 kg. O peso adequado varia de pessoa para pessoa, independentemente dos padrões estéticos. Entre os muitos sentimentos provocados pela excessiva preocupação com a balança estão a ansiedade e o desânimo, que podem colocar tudo a perder. Faça as pazes com a balança ou faça do espelho o seu melhor amigo!

Se seu objetivo for saber se você está bem fisicamente, olhe no espelho e faça uma avaliação auto-consciente. Nenhum método de avaliação antropométrica lhe trará a resposta exata sobre sua composição corporal do ponto de vista estético. Vocês não imaginam quantas pessoas eu vejo com o percentual de gordura adequado, mas que desejam mudanças significativas em seu corpo.

Para que servem esses métodos então?

Para direcionarem o profissional a elaborar um programa alimentar ou de
exercícios de acordo com a evolução do paciente. Em obesos ou pessoas com sobrepeso significativo, a utilização de adipômetro fica comprometida. Nesses casos, o uso de uma boa balança de bioimpedância, além de uma fita métrica, ajuda e muito!
Em pessoas que possuem um leve sobrepeso e físicos mais atléticos, o adipômetro é indiscutivelmente superior a bioimpedância.
O avaliador não deve buscar apenas um número de percentual de gordura.
Cada medida tem um significado e uma importância. Muitas vezes o percentual de gordura é baixo, mas existe uma gordura localizada em um determinado ponto, que pode ser o caso de ser eliminada apenas com a hipertrofia muscular no local e não com mais restrição calórica.

Um exemplo muito comum é aquela gordura chata abaixo dos glúteos que muitas mulheres se queixam. Em muitos casos, apenas com um treino
específico de musculação para a região que resolverá o caso. Mais restrição calórica, poderia proporcionar perda de massa muscular. Por isso a importância do próprio avaliador ser o profissional que vai elaborar seu programa de nutrição ou de treino. Eleprecisa ver o físico do aluno/paciente!

Não é raro, em algumas situações eu acabo utilizando algumas dobras cutâneas com o adipômetro que não estão presentes nas fórmulas tradicionais. Como por exemplo, alguém que tem um acúmulo de gordura corporal maior na região lombar, ou dos joelhos, ou interna de coxa, entre outras possibilidades. Nesse caso, logicamente a ideia não é lançar os dados em alguma fórmula, mas sim utilizar os dados de maneira
comparativa consulta a consulta.
Vejo profissionais que quando entram no mercado de trabalho ficam tensos sobre como fazer a avaliação física no aluno/paciente. Realmente é necessário todo um suporte técnico para isso e um bom equipamento (balança, adipômetro, fita métrica). Mas o que realmente fará a diferença é sobre como o profissional vai utilizar aqueles dados coletados. Qual o real impacto que isso fará na elaboração do programa  alimentar ou na periodização do treinamento. Costumo dizer para meus pacientes,
quando eles ficam afoitos para descobrir o percentual de gordura, que se for para saber como eles estão fisicamente, um bom espelho já resolveria.

Com a era da inteligência artificial, a tendência é em breve termos equipamentos tão eficazes para avaliação da composição corporal, que dispensarão a necessidade do profissional. Agora, o que fazer com tais dados, avaliando além de números, as emoções e sentimentos do paciente, será a única forma do nutricionista e professor de educação física não serem substituídos por aplicativos de smartphone.

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