A indústria da perda de peso e promoção da saúde segue faturando milhões, e muitas vezes a verdade não vende. Já as promessas como sucos detox e dietas zero gúten e lactose são tão comentadas pela mídia que alguns profissionais chegam a ignorar a ciência para acreditarem em gurus que estão por trás de uma indústria multimilionária. Com isso, vejo muitas pessoas eliminando desnecessariamente da sua rotina alimentos que gostam e introduzindo outros sem qualquer necessidade. Vamos apresentar neste artigo 10 dos vários mitos que existem sobre nutrição. Tenho certeza que vários deles ainda trazem dúvidas para você.

Mito 1: Glúten deve ser evitado por todos, em qualquer quantidade

Para pessoas sem intolerância aos alimentos fontes de glúten, como as celíacas, não é necessária a exclusão radical de qualquer alimento fonte de glúten da dieta. Essa retirada radical promove de imediato uma redução na ingestão calórica total, fazendo com que o adepto perca peso corporal. Só que essa redução aconteceu pela redução na ingestão calórica e não por uma possível intoxicação com glúten.

Mito 2: ovos fazem mal para a saúde

Os ovos são excelentes fontes de proteínas, lipídios e outros nutrientes. Sua associação com doença cardiovascular e altos níveis de colesterol não possui fundamento. A questão é o cuidado na forma de preparo e a correta distribuição dentro de um programa alimentar.

Mito 3: carne vermelha pode causar câncer

Qualquer alimento pode potencialmente causar câncer. O mais importante é evitar os maiores fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, excesso de alimentos industrializados e defumados. Além de ingerir muitos vegetais isentos de pesticidas.

Mito 4: Gorduras devem ser eliminadas da dieta

A ingestão de gorduras, mesmo as saturadas, não é um causador isolado de doenças cardiovasculares. Tudo dependerá da distribuição de todos os nutrientes na dieta. Do mesmo jeito que ingerir alimentos fonte de colesterol não irão diretamente aumentar seus níveis de colesterol, comer gordura, não fará obrigatoriamente você armazenar gordura. Uma baixa ingestão de alimentos fonte de lipídios pode, por exemplo, prejudicar a síntese de testosterona.

 Mito 5: o sal deve ser eliminado por completo da dieta

Existe uma importante diferença entre moderar e eliminar. O sódio é um mineral essencial para nossa saúde. Sua retirada da dieta, com o intuito de reduzir a retenção hídrica, pode ter um efeito justamente contrário. Após alguns dias com baixa ingestão de sódio, nosso organismo tende a aumentar a retenção de líquidos.

Mito 6: o leite deve ser evitado por todos

O Brasil possui um nível de intolerância a lactose moderado. Países como Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá têm níveis de intolerância bem menores. Portanto, apesar de não ser difícil encontramos pessoas com intolerância à lactose e/ou proteína do leite, não podemos generalizar. Existem pessoas que ingerem diariamente leite e derivados, sem apresentar qualquer tipo de sintoma negativo. Não podemos esquecer que o leite é, sim, uma ótima fonte de proteínas, vitaminas e minerais. Assim como o glúten, não podemos acreditar que todas as pessoas são intolerantes a esses alimentos. Lembrando que em classes sociais mais baixas, o leite é uma das poucas fontes proteicas acessíveis.

Mito 7: dietas ricas em proteínas causam danos nos ossos e rins.

A adoção de uma dieta rica em proteínas por pessoas saudáveis apresenta efeitos protetores e não deletérios para a saúde óssea. Quanto à saúde renal não existe qualquer fundamento. Pacientes renais crônicos necessitam de cuidados na ingestão de proteínas, mas isso não é verdade quando se trata de pessoas com os rins saudáveis. O mais importante é avaliar caso a caso e verificar se existe a necessidade real de uma ingestão mais elevada de proteínas.

Mito 8: Dieta “low-carb” é a melhor opção para reduzir gordura corporal.

Mais uma vez, o princípio da individualidade biológica deve ser respeitado. Existem pessoas com metabolismo lento, com baixo gasto energético e/ou resistentes à insulina, que se beneficiam muito com as dietas low-carb. Da mesma maneira, que para pessoas com metabolismo acelerado, elevado gasto energético e ótima sensibilidade insulínica, esse tipo de estratégia não seria bem-vinda.

Mito 9: comer várias vezes ao dia acelera o metabolismo

Apesar de o processo digestivo aumentar o gasto energético basal, esse efeito é insignificante considerando todo o gasto energético diário. Portanto, comer a cada três horas, apesar de ser interessante do ponto de vista cultural e da saciedade, não pode ser uma regra para acelerar o metabolismo.

Mito 10: Dieta detox desintoxica o organismo

Os defensores dessa prática consideram que o corpo humano acumulou toxinas e metabólitos tóxicos, resultado da exposição de pesticidas, poluentes e aditivos alimentares. Acontece que a dieta detox é muitas vezes estimulada para ser feita em um ou dois dias, normalmente após um fim de semana de excessos alimentares. Como a ingestão calórica é baixa, os níveis de glicogênio (reserva de carboidrato encontrada no músculo e fígado) baixam e ocorre ao mesmo tempo uma grande eliminação de líquido, pois para o glicogênio ser armazenado ele precisa reter água (cerca de três gramas de água para cada grama de glicogênio). Como há uma maior perda de líquido ocorre uma falsa ideia de emagrecimento, fazendo a pessoa acreditar que eliminou rapidamente o peso (em gordura) adquirido no fim de semana de comilança. Considerando que nosso organismo conta com fígado, rins, pulmões e outros órgãos para remover e eliminar substâncias maléficas, na verdade, o que precisamos é manter um estado nutricional adequado. Devemos evitar práticas que levam ao acúmulo de substâncias intoxicantes, como o hábito de fumar, o consumo de alimentos industrializados, dar preferência a legumes e verduras isentos de pesticidas, e carnes orgânicas.

 


Rodolfo Peres é nutricionista especialista em nutrição esportiva. Atende desde atletas de alto nível a pessoas que simplesmente buscam uma melhor qualidade de vida.
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