Raphael Polonis – nutricionista – CRN3 42117
Rodolfo Peres – nutricionista – CRN3 16389

Muito se fala em saúde intestinal e dos inúmeros benefícios que um intestino saudável pode proporcionar inclusive para o rendimento esportivo. Com isso, os termos prebiótico e probióticos ganharam espaço, mas muitas pessoas ainda não sabem o que significam e muito menos sua diferenciação.

Prebióticos são compostos de fibras não digeríveis (oligossacarídeos) que quando chegam ao cólon servem como substrato para microrganismos, gerando energia e metabolitos, estimulando o crescimento seletivo de certas espécies benéficas (principalmente, bifidobactérias e lactobacilos) da microbiota intestinal.

Alguns exemplos de prebioticos são:

Frutooligossacarídeos (FOS): encontrados na cebola, alho, tomate, banana, alcachofra, aspargo, beterraba, chicória e trigo.

Inulina:  está presente principalmente na raiz da chicória, alho, alho poró, cebola, aspargos e alcachofra.

Pectina: é encontrada principalmente nas cascas das frutas, como maçã, laranja, limão e maracujá.

Ligninas: Presente na casca de linhaça, nozes, amêndoas, castanha do Pará e gergelim.

Os prebióticos exercem efeitos fisiológicos benéficos para o saúde e bem-estar do corpo, em relação à sua capacidade de modular a microbiota intestinal. Esses efeitos podem ser exercidos não apenas no cólon, mas também em todo organismo, contribuindo na redução do risco de sofrer determinadas doenças intestinais ou sistêmicas, como síndrome do intestino irritável e doenças inflamatórias intestinais (colite ulcerativa e Doença de Crohn). Além disso, atuam sobre certas funções intestinais, reduzindo o tempo de trânsito intestinal, ao produzir um aumento do volume do bolo fecal. Possuem efeito protetor que pode ser atribuído às propriedades antiaderentes que apresentam, bloqueando os locais onde os microrganismos patógenos ou suas toxinas aderem em células epiteliais. Reduzem a pressão arterial assim como os níveis de glicose, colesterol e triglicerídeos no sangue. A absorção de nutrientes, em especial minerais como cálcio, magnésio, zinco e ferro, é potencializada na presença de prebióticos.

Já os probióticos, são classificados como organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro.

Existem critérios utilizados e aceitos na literatura, para classificar o organismo como probiótico:

1.Ter origem humana;

2.Não ser patogênico;

3.Ser resistente ao processamento;

4.Ser estável e permanecer viável, após exposição aos sucos digestivos;

5.Aderir-se à célula epitelial;

6.Ser capaz de persistir no trato gastrointestinal;

7.Ser capaz de influenciar atividade metabólica local.

 

Os microrganismos que funcionam como probióticos não se multiplicam rapidamente e por isto não permanecem colonizadores perenes. Dentre os diversos gêneros que integram este grupo, destacam-se o Bifidobacterium e o Lactobacillus. A composição desta flora depende dos hábitos dietéticos do indivíduo. Fatores externos, como uso de antibióticos, podem alterar esta microflora trazendo vários distúrbios como diarreia, síndromes má-absortivas, constipação e infecções.

Ao nascimento, o tipo de parto, a qualidade da dieta (leite materno ou leite de vaca) e se o paciente tem alta ou permanece em ambiente hospitalar, influenciam na colonização intestinal bacteriana. A microbiota tende a instalar-se por volta dos 18 aos 24 meses e a manter-se estável durante toda a vida, sendo considerada saudável, quando há predomínio de Bifidobacteria e Lactobacillus. Crianças alimentadas exclusivamente de leite materno têm predomínio maior de 90% de Bifidobacterium e Lactobacillus. Porém, nos alimentados com leite artificial, estas bactérias perfazem 40 a 60% da microbiota associada a outros tipos de bactérias como as dos gêneros clostrídio, estafilococos e bacterióides.

No intestino, promovem inúmeras funções benéficas, tais como melhorar as funções intestinais, aumento da absorção de nutrientes, efeito protetor contra infecções, efeito imunomodulador, prevenção de doenças atópicas, autoimunes e câncer, proteção contra proliferação de microrganismos patogênicos, restauração da permeabilidade intestinal e otimizar a absorção de nutrientes. Uma microbiota saudável produz vitaminas como vitamina K e vitamina B12, além de digerir fibras insolúveis, liberando nutrientes que são utilizados por elas e pelo organismo hospedeiro.

São capazes de diminuir processos alérgicos e infeciosos, pois estimulam secreção de mucina nas células intestinais e quebram proteínas com potencial alergênico. Reforçam as junções intercelulares no intestino, aumentando a seletividade de macromoléculas. Kombucha, Kefir, vegetais fermentados (chucrute), missô, iogurtes que são utilizados microrganismos em sua produção e coalhada são alguns bons exemplos de alimentos ricos em probióticos. Atualmente é possível encontrar várias formulações de probióticos. Algumas inclusive, combinam pre e probióticos, com diferentes concentrações. Na nutrição esportiva, trabalhamos em média, em torno de 20 bilhões de probióticos/dia. Casos críticos de pós-operatório, uso de medicamentos ou determinadas patologias, esse valor pode ser superior a 50 bilhões de probióticos/dia.