Por: Rodolfo Peres

Há cerca de 30 anos, quando a suplementação alimentar começou a ser vendida no Brasil, sofreu muito preconceito. Dúvidas sobre a segurança, eficácia e qualidade dos produtos afastavam o grande público consumidor. Aos poucos, os produtos que ficavam escondidos nos cantos de farmácias, foram ganhando espaço também em lojas especializadas (body shops), supermercados, lojas de departamentos, internet, além de adquirirem grande respaldo científico. A proteína em pó, antes vista apenas como um suplemento para ganhar músculos, passou a compor dietas de emagrecimento, auxiliar pessoas com desnutrição, doenças crônico-degenerativas, idosos a manterem sua massa muscular, além de enriquecer alimentação de crianças e gestantes.

Em 1992, quando a creatina surgiu no mercado era um suplemento com grande potencial para aumentar a performance e a força em atletas. Hoje, estudos científicos comprovam que ela pode ser usada no tratamento de doenças como diabetes tipo II e doenças neurodegenerativas. L-carnitina, resveratrol, epigalocatequinas, quercetina e coenzima Q10 podem otimizar o metabolismo-energético (biogênese mitocondrial) em atletas, mas também podem melhorar a qualidade de vida de idosos e pessoas com baixa energia/fadiga crônica. Glutamina e pre/probióticos ajudam na imunidade e saúde intestinal de atletas, mas podem beneficiar qualquer pessoa que tenha uma rotina estressante de estudos ou de trabalho. Da mesma forma que substâncias usadas na prevenção de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, hoje são utilizadas para potencializar a concentração e o foco de atletas que precisam melhorar a performance. BCAAS são amplamente utilizados por esportistas com o objetivo de estimular a síntese proteica e otimizar a recuperação, mas também possuem grande aplicabilidade clínica em patologias hepáticas. Deficiência de vitamina D pode atrapalhar consideravelmente o ganho de massa muscular em um praticante de musculação, mas também pode aumentar o risco de fraturas em idosos.

Citei apenas alguns exemplos, mas são inúmeras as relações que podemos fazer entre suplementação alimentar x performance esportiva x qualidade de vida. A suplementação alimentar, quando bem direcionada, pode beneficiar tanto um atleta quanto uma gestante; tanto alguém que deseja definir o abdômen quanto um indivíduo que precisa melhorar seu estado nutricional, debilitado por alguma patologia específica. Muitas vezes o mesmo suplemento, como ácidos graxos ômega 3, para citar um exemplo, pode auxiliar diferentes públicos. Pode auxiliar no crescimento da criança, desde a formação do tubo neural na gestação (quando suplementado pela mãe), ajudar na síntese de proteínas, na recuperação no atleta, atuar na resposta cognitiva e no perfil lipêmico (níveis de colesterol e triglicerídeos) do idoso. Mas a administração deve ser de acordo com a necessidade individual, e será o profissional de nutrição o responsável por essa adequação.

Por isso, o profissional de nutrição deve estar atento à atualização científica, para que suas prescrições sejam condizentes com as necessidades reais dos pacientes. O que mais vejo são prescrições baseadas em modismos de redes sociais ao invés de embasamento científico. Atualmente, temos produtos no mercado de alta qualidade, endossados por empresas com anos de expertise, mas, se forem utilizados de maneira inadequada, não vão servir pra nada. Procure sempre orientação nutricional antes de utilizar qualquer suplemento para tirar o melhor proveito dos seus benefícios!