Você já deixou de ir a eventos que envolvam comida – como um almoço em família – para não ter que justificar suas escolhas ou ser chamado de neurótico? Você não compra nenhum alimento antes de ler o que diz o rótulo sobre a sua fabricação e composição? Será que esse comportamento faz de você um “ortoréxico” em potencial? Existe um limite razoável entre a preocupação com a saúde e a obsessão por dietas?

 

Drogas, bebida, compras, exercício, sexo, comida! Nos dias atuais, uma legião de viciados provoca polêmicas entre especialistas sobre os diagnósticos e as formas de tratamento. Quando falamos em distúrbios alimentares, logo vem à cabeça mulheres que passam fome (anorexia) ou forçam vômitos após se alimentarem (bulimia). Mas um outro tipo de distúrbio vem ganhando espaço na mídia e nos meios acadêmicos: a ortorexia.

 

O termo vem do grego (“orthós” = correto e “orexsis” = apetite) e teria sido usado pela primeira vez, no final da década de 1990, pelo médico americano Steven Bratman para denominar pessoas viciadas em comida saudável. Segundo ele, as pessoas com ortorexia podem passar mais de três horas escolhendo o que vão comer. O medo de ganhar peso não seria o fator determinante. O que incomoda os ortoréxicos é a sensação de estar “inundando o organismo com substâncias tóxicas, impuras e perigosas”. Inadvertidamente, eles cortam grupos de alimentos importantes, sem substituí-los por outros com os mesmos nutrientes. Quem sofre desse distúrbio raramente come fora de casa para não perder o controle do que está comendo. Essas pessoas consideram sua alimentação a mais saudável de todas e se sentem culpadas quando comem algo fora da dieta. Não têm outro assunto em uma conversa informal – ou interesse em outras coisas de seu dia a dia – a não ser a preocupação com o que comeram ou vão comer. Fisicamente, os sinais do vício em dieta são facilmente percebidos: problemas de pele, unhas e cabelos enfraquecidos, anemia, tonturas, falta de disposição, dor de cabeça, dificuldade de raciocínio ou problemas no funcionamento intestino.

 

Quando se fala em saúde, é preciso ter equilíbrio e bom senso. Quem procura um estilo de vida saudável deve saber balancear a alimentação sem cortar grupos nutricionais essenciais, e reservar ocasiões específicas para comer alimentos que não façam parte da sua rotina alimentar, mas que serão importantes para outros aspectos, como por exemplo, a sociabilidade. Tem uma festa legal no sábado? Então controle sua alimentação durante a semana para acumular “créditos” e escapar da dieta sem culpa! Não tem nada especial no próximo fim de semana? Então por que não manter um padrão alimentar 100% adequado?

 

Vivemos em sociedade, é fato! Mas não é porque a maioria das pessoas se alimenta mal, e não está nem aí pra isso, que devemos copiar esses hábitos inadequados. Por outro lado, não faz sentido ser radical, ficar pensando em dieta o tempo todo e, pior, cobrando dos seus amigos o mesmo comportamento. Se o ano tem 365 dias, então, qual o problema de sair da dieta que seja, 10, 20 ou até mesmo 30 dias por ano? O saldo será mais do que positivo, desde que não ocorram exageros extremos! Você terá um ótimo físico e não se tornará um E.T entre seus parentes e amigos.

 

Acho que as principais vítimas da ortorexia são as pessoas que se deixam levar por dietas e receitas divulgadas nos mais diversos meios de comunicação, que simplesmente ignoram o princípio da individualidade biológica. Em qualquer dieta, para ganhar ou perder peso, o acompanhamento de um nutricionista é fundamental. Além de prescrever uma dieta adequada, evitando deficiências nutricionais, o profissional também pode identificar os primeiros sinais de disfunções no comportamento de seus pacientes e indicar tratamento especializado.

Eu poderia contar inúmeras histórias de pacientes que precisaram da minha intervenção na busca por acompanhamento psicológico. Lembro bem do caso de um adolescente que juntou suas economias, comprou um fogão e um frigobar para deixar no quarto, e só saía de casa para treinar na academia! Também é bastante comum casamentos chegarem ao fim por causa de maridos/esposas que não aguentaram seus parceiros (as), obcecados (as) com alimentação correta e cobrança com o físico. Portanto, meus amigos, o limite entre ser saudável e a obsessão em ser saudável é muito tênue!

 

Comportamentos desequilibrados e distúrbios alimentares merecem atenção e tratamento adequados, mas também é preciso cuidado com pré-julgamentos. Afinal, é muito mais fácil rotular a pessoa preocupada em comer bem como doente da cabeça, do que estimular as lanchonetes a oferecer opções mais saudáveis em seus cardápios. Nosso corpo é uma máquina perfeita! Cabe a nós decidir que combustível usar para que ela dure muito tempo, com um bom funcionamento. ALIMENTE-SE BEM, DE FORMA SAUDÁVEL. Viva em Dieta, Viva Melhor!

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Você encontra no livro:
01 – Receitas com bom valor calórico;
02 – Tudo sobre nutrição para, OBESOS, ATLETAS PROFISSIONAIS E NÃO PROFISSIONAIS, VEGETARIANOS, TERCEIRA IDADE.
03 – Programas Alimentares (o que comer? quando comer? Por que comer?)
04 – Entendendo os nutrientes;
05 – Tudo sobre suplementação alimentar;
06 – Qual a forma correta de utilizar a suplementação de acordo com o seu objetivo;
07 – Erros comuns no uso de Suplementos;

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Sumário do livro:

Parte 1Entendendo o programa alimentar: 1 – Elaborando um programa alimentar; 2 – Entendendo os nutrientes; 3 – Distribuindo os nutrientes.

Parte 2A suplementação alimentar: 4 Suplementação alimentar: uma introdução; 5 – Os melhores suplementos alimentares; 6 – Erros comuns no uso de suplementos alimentares.

Parte 3Estratégias nutricionais específicas: 7 Mudança da composição corporal; 8 – Atividades de endurance; 9 – Lutadores; 10 – Atletas de esportes coletivos; 11 – Vegetarianos; 12 – Da infância à velhice; 13 – Alimentação em viagens; 14 – Obesos. Adiciona depois de 14 – Obesos; 15 – Será mesmo monótono e sem graça manter uma alimentação saudável (receitas); 16 – Considerações finais.

 


Rodolfo Peres é nutricionista especialista em nutrição esportiva. Atende desde atletas de alto nível a pessoas que simplesmente buscam uma melhor qualidade de vida.